Geni é uma revista virtual independente sobre gênero, sexualidade e temas afins. Ela é pensada e editada por um coletivo de jornalistas, acadêmicxs, pesquisadorxs, artistas e militantes. Geni nasce do compromisso com valores libertários e com a luta pela igualdade e pela diferença. ISSN 2358-2618

literatura

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Treze jeitos de não ver um melro

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Poemas de Leandro Rafael Perez

lit01

1

 

comprar pirulito
conforme a piranha
do dia

verde limão

não rebolar ao passar pela Kombi

 

 

2

 

um velho chega no meu cangote
e canta aquela alegre dos Hanson

 

 

3

 

correia de
capacete ausente

isso de me nascer
barba primeiro no pescoço

nuca de gueixa

hoje das bochechas
aos dedos do pé

é bastante coisa

 

 

4

 

calção de banho
sem cueca
pau duro

dois travecos
& três viados

eu dando voltinha neles
com a bike praia vazia

não vou dizer que foi fácil,
it gets better (rs)

esquecer a virgindade
& perder os óculos

 

 

5

 

meu cu não é um mito

 

 

6

 

APANHADO DO QUE FIZ NA ADOLESCÊNCIA:

quando um discurso se antagoniza a outro socialmente, há sempre um deles que é apreendido como default e o outro como marcado. O primeiro passo para uma boa discussão é perceber que ambos são potencialmente plenos de alteridades mútuas mas, segundo passo, é preciso cercear o que garante a um deles o status de default (ex., o machismo). Se usarmos uma metáfora cromática, poderemos notar que, além dos matizes e idiossincrasias que a todos nós afastam dos estereótipos, todo antagonismo esconde o direito à confusão e ao mistério: homem é branco, mulher é preta, andrógino é cinza e transgênero é xadrez.

VAI BRINCAR MOLEQUE

 

 

7

 

a homossexualidade
é promíscua sim

pra que encarar o ódio
se não for por prazer?

 

lit02

 

8

 

23 anos pra
pensar “gostoso”

na verdade
ainda fico vermelho

 

 

9

 

mishima disse que o Ocidente
não tem mais critério pro belo
masculino

disse também que
dois homens são incapazes de se sujar

estou nessa página até hoje

assim como Melanctha
e o doctor Campbell
me esperam no alto daquela escada

até hoje

 

 

10

 

com meu primeiro namorado
aprendi a passar xampu duas vezes

com o segundo que brinco
de pirata era brega

com alguns piratas aprendi
a rosnar

[o primeiro gole
de rum

foi quando todos vocês me amaram]

com alguns cabeleireiros
a sorrir de outros jeitos

 

 

11

 

gosto dos que rugem
e que ao se machucarem
gemem

gosto dos pais de família
que ao subirem escada
parecem cheerleaders

gosto mais ainda
que saibam
como os descrevo

 

 

12

 

minha visão sobre
sexualidade
é um ouriço

não investe
mas se defende

a chave pra lima
guardo eu

 

 

13

 

só me chama de putinha
quem me chama de graduada
só me chama de vadia
quem me chama de irmã
só me chama quem atendo

 

lit03

 

Leandro Rafael Perez tem 26 anos e a altura da Carmen Miranda com chapéu-coco.
Mora quase na divisa com Diadema, em São Paulo. Mantém o blogue
Fumante entre cavalos.

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beno – 12 de março de 2014 - 12:52

meu deus

matheus matheus – 13 de março de 2014 - 3:41

Que delicadeza brutal! Já vou pro blogue!

Eder Asa – 21 de março de 2014 - 18:00

menino!

Conrado – 21 de março de 2014 - 18:12

lightweight lightning seeds

Thiago Dias – 22 de março de 2014 - 13:04

Que maravilhoso!

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