Geni é uma revista virtual independente sobre gênero, sexualidade e temas afins. Ela é pensada e editada por um coletivo de jornalistas, acadêmicxs, pesquisadorxs, artistas e militantes. Geni nasce do compromisso com valores libertários e com a luta pela igualdade e pela diferença. ISSN 2358-2618

editorial

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O mundo é grande

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O Brasil pegando fogo e a Geni pegando forte!

O mês de junho de 2013 entrará para a história do Brasil. Algumas das maiores manifestações urbanas que este país já teve surpreenderam muita gente, se não todo mundo. Os protestos massivos que tomaram inúmeras cidades tiveram efeito imediato em governos municipais, estaduais e no governo federal, mostrando mais uma vez que a mobilização popular é imprescindível para conquistar direitos e abolir privilégios.

 

Ah, e, claro, aconteceu outra coisa muito importante: a revista Geni nasceu \o/

 

Não que a gente faça muita questão de entrar pra História. Talvez estejamos mais interessadxs em explodi-la ou em sambar nela. Mas estamos conscientes de sermos contemporânexs de tudo o que está ao nosso redor, e não queremos nos esconder, muito pelo contrário. Queremos botar nosso bloco na rua – ainda mais ao percebermos que é um bloco de muita gente.

 

Ficamos muito surpresxs com a grande quantidade de pessoas que nos procurou não só querendo ver o que estamos fazendo, mas também pra estar junto, ajudar, fazer parte. Em um mês, foram mais 15 mil visitas ao site, quase 900 curtidas na nossa página do Facebook e dezenas de e-mails, comentários, mensagens. Para um projeto como o nosso, autogerido, anticorporativo e sem financiamento, achamos que é bastante! E, obviamente, queremos mais.

 

Mas – quem escreveu solicitando informações bem sabe – quase não tivemos perna para abraçar tanta gente. Criamos o grupo Coletivo Geni no Facebook, específico para discutir o funcionamento interno da revista, mas ainda não nos acomodamos muito nele. Estamos publicando, neste número, a primeira contribuição de um leitor, uma resenha escrita pelo Ítalo Damasceno. Queremos ser um coletivo aberto – como está no nosso manifesto. Só que de repente nos deparamos com uma questão mais complexa do que parece: como se abrir?

 

 

Meu coração não é maior que o mundo”

 

A questão é em grande parte técnica. Todas as decisões da Geni são tomadas em um grupo de e-mails, e sabemos que esses grupos não podem ser muito grandes, sob o risco de perderem o foco – e travarem o curto deadline da revista, de uma edição por mês. Mas há também outras questões envolvidas, por exemplo: como garantir que pessoas estranhas ao projeto não irão trolá-lo, matá-lo nessa raiz que custosamente estamos fortalecendo?

 

Essa foi basicamente a pergunta que muitos movimentos sociais devem ter feito a si mesmos quando, no meio de junho, as marchas e protestos que eles sempre organizaram tomaram proporções estrondosas – e ficaram cheias de gente carregando bandeiras do Brasil e outros estandartes contrários às nossa lutas – sendo, em grande parte, de uma direita ingênua, mas, em menor e mais perigosa parte, de uma direita organizada e extremista, dos neonazis e integralistas ansiosos por nos transformar em carniça.

 

Ainda não sabemos como fazer para que a Geni cumpra seu propósito, que é dar pra qualquer um/a. Se você tiver alguma sugestão ou ideia, por favor escreva pra gente! Por enquanto, nesta edição, buscamos contribuir com o debate político no Brasil, e duas experiências estrangeiras podem ser particularmente úteis. Entrevistamos o Sosyalist Feminist Kolektif, coletivo socialista feminista turco, para saber mais sobre a participação de mulheres e LGBTs nos protestos da Turquia. E traduzimos a carta que a Alianza Sexo-Género Diversa Revolucionaria (ASGDRe) venezuelana enviou em março ao então candidato presidencial da esquerda, Nicolás Maduro, que fez comentários homofóbicos para desqualificar seu opositor, o direitista Henrique Capriles. A ASGDRe não exime Maduro de sua responsabilidade, mas tampouco vê a liberdade sexual como compatível com os ideais capitalistas de Capriles.

 

 

A rua é enorme”

 

Assim como a concentração do capital, que cria desigualdades, não pode resultar em uma sociedade justa, não dá pra combater essas opressões reiterando posições homofóbicas, machistas e racistas. E, como disse Malcolm X, “se você não for cuidadosx, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo”.

 

A mídia corporativa brasileira – para quem movimento social sempre foi sinônimo de baderna – tentou apropriar-se, segundo seus interesses, dos protestos de junho, transformando-os em uma “grande festa da democracia”. Na tela da Globo, o que se viu foram imagens aéreas dos protestos embaladas pelo mantra “manifestação pacífica, muito bonita, sem vandalismo, uma verdadeira festa”, evidenciando uma ideologia travestida de “opinião pública” que tornava invisíveis as reivindicações.

 

A força dessa mídia de direita/careta evidencia ainda mais a necessidade de mídias alternativas, que multipliquem a voz de quem está sozinho e exponham outros ângulos e visões. Que não se omitam ante a violência policial nas periferias e favelas, onde as balas não são de borracha e, sob o olhar fascista, as vidas valem menos. Que mostrem que o que se chama de “minorias” é, na verdade, a maioria.

 

Entrevistamos nesta edição Marlene Wayar, importante ativista argentina, diretora do primeiro periódico travesti da América Latina, El Teje, e integrante da Associação de Revistas Culturais Independentes da Argentina. E o artigo de Pedro “Pepa” Silva na seção Memória mostra outro momento da imprensa brasileira, quando o movimento gay começava a virar pauta – inclusive de revistas masculinas. Também fizemos uma versão escrita do debate de lançamento da Geni número zero, que teve como tema “Monopólio da mídia, monopólio do corpo: quem os meios de comunicação representam?”. Muitos outros textos compõem este número um, que foi todo ilustrado pela musa Cecilia Silveira. E como esquecer da dona Neusa? A partir deste número, a nervosíssima Neusa Sueli, diva e personagem, terá sua coluna garantida: Faróis Acesos é inaugurada em grande estilo. Impagável!

 

Queremos que a Geni seja uma revista militante e que sirva à militância, e para criar novas formas de comunicação é fundamental conhecer o que já existe e debater sobre o que queremos que exista. Carlos Drummond de Andrade termina o poema “Mundo grande” com o seguinte verso: “Ó vida futura! Nós te criaremos”. Queremos fazer desse verso um convite para todxs xs nossxs leitorxs.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Rodrigo Lima Batista – 2 de julho de 2013 - 2:52

Vontade de mudar, de gritar e de fazer a diferença. Quem consegue enxergar o horizonte, tem dentro de si essa chama que clama pela mudança. Geni é um veículo, um meio? Sim, por que não? Ao meu ver, esse é o momento certo de surgir e dar vazão aos ideais e os pensamentos de mudança, sem seguir o discurso básico de melhoria, repetido por muitos mas compreendidos por quase ninguém. É hora de mudar, mas mudar de verdade. Deve-se tomar cuidado com as manifestações para que elas não troquem seis por meia dúzia. O protesto, a bagunça nas ruas e enfrentar os “donos dos currais” é valido porém, ineficiente se ficar apenas na bagunça. Acho que, no caso Geni, deve ser um caminho para a reflexão de algo que está surgindo e pode se tornar algo lindo e maravilhoso, um sonho a ser realizado por aqueles que, esperaram por mudanças, tentando de todas as formas, do protesto a dizer bom dia pro vizinho, de militar em Ong’s a votar no candidato mais correto. Toda forma de mudar é válida sim. Espero eu, que nasci no inicio do fim da ditadura Visível para a ditadura Invisível, possa acreditar no despertar do Gigante, que ele lute e mude, ao invés de ir mijar no banheiro, tomar água e voltar a dormir.
A semente foi plantada? Há muito tempo, parece que ela quer germinar, será que sim? Geni, é com você!!

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