Geni é uma revista virtual independente sobre gênero, sexualidade e temas afins. Ela é pensada e editada por um coletivo de jornalistas, acadêmicxs, pesquisadorxs, artistas e militantes. Geni nasce do compromisso com valores libertários e com a luta pela igualdade e pela diferença. ISSN 2358-2618

editorial

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Rebolando nas quebradas

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Chegando aos três quebrando com tudo

 

Publicado em 21/08/2016

 

 

Geni Quebrada é a nossa edição de aniversário de três anos.

 

Parece que foi ontem: os primeiros encontros, as primeiras reuniões, a ansiedade de colocar a primeira edição no ar. Agora já são 30 + a edição zero.

 

E seguimos aprendendo, errando, tomando uns rola nervoso, sacudindo a poeira e botando a cara no sol, sempre.

 

Pra comemorar nosso aniversário, convidamos As Capulanas para apresentar a história de atuação do grupo e o debate sobre racismo e machismo inserido em seus processos e espetáculos. A grafiteira Ana Clara conta sobre o surgimento do Graffiti feminista apresentando a luta das mulheres dentro desse movimento.

 

Pega no meu power rechaça as pedras tacadas contra as mulheres bissexuais e as questões invisibilizadas dentro do próprio movimento LGBT.

 

Shanawaara faz uma profunda imersão em busca da infância e adolescência como uma submano no Reino de Óz. Tiarajú D’Andrea chega em Acadêmicxs apresentando seus estudos sobre o sujeito periférico.

 

Geni ainda estreia um espaço para a difusão de obras em formato audiovisual que discutam gênero, sexualidade e outros tópicos da nossa revolução. Quem vem com a gente é o coletivo Nós, Madalenas, criadoras do filme Mucamas, um delicado documentário sobre mulheres trabalhadoras domésticas. Bota a pipoca pra pular e pega o lencinho, bunitx.

 

Para esta edição, convidamos ilustradorxs que atuam em diversos movimentos e coletivos artísticos periféricos, a revista está toda ocupada!

 

 

Um editorial muito difícil

 

A Geni edição 30 demorou para ir ao ar. Muitas coisas aconteceram no Brasil e em nosso coletivo nesse período. Fizemos algumas conversas para tentar dar conta da complexidade do cenário e, talvez, escrever o que provavelmente seria – e continua sendo – o editorial mais difícil de nossa caminhada como mídia independente.

 

Não somos um grupo homogêneo e isso é uma das coisas mais lindas e que nos torna potentes no que fazemos. Mas com isso veio também nossa grande dificuldade em encontrar unidade, deveríamos nos posicionar em defesa do então governo e assumir um lugar entre os dois assentos disponíveis no debate político implantado no calor da História?

 

Se por um lado óbvio não nos aliamos àqueles críticos das políticas de justiça social; por outro, foi difícil esquecer algumas perguntas: quando vivemos em democracia? A democracia clamada serve a quem? Como defender as gestões petistas sem levar em conta os genocídios negro, indígena e LGBT promovidos ou mantidos nesses últimos anos? Como esquecer Belo Monte, Mariana e os impactos ambientais promovidos pelo PAC de Lula/Dilma? E as negociatas com a bancada evangélica que não permitiram o avanço de uma agenda de proteção à vida das mulheres e LGBTs?

 

As manipulações partidárias e midiáticas, o espaço virtual alimentado de verdades a velocidade da luz; na rua: panela, bandeira, pato, buzina; em muros: vaca, vadia, puta e cadela. Tchau querida. O processo de impedimento da presidenta Dilma Rousseff, cujo ápice todas lembram: a votação, naquele domingo, em que pudemos observar o deus, as famílias e os rostos daqueles que habitam o Congresso Nacional. Apaga a luz!! Sim, tínhamos e temos um nefasto festival de cinismo rolando.

 

O Coletivo Geni é contra a permanência do golpista Michel Temer no poder. Assim como de toda a ala conservadora: daqueles que manipulam nossos corpos e possibilidades de vida com bala, boi e bíblia. Contra também os sinistros meios de comunicação que sustentam essa corja.

 

Manter uma revista independente no ar é foda. Um xêro a todxs que colocaram e seguem colocando suas ideias, lutas, códigos, palavras, imagens e querências nesses três anos de existência. Estamos repensando o formato e qual o nosso papel como mídia alternativa que, para nós, tem uma função essencial nesse período político. A Geni continua um espaço aberto para a gente quebrar juntxs a centralização da comunicação.

 

Sempre em tempo,

Fora racistas! Fora machistas! Fora LGBTfóbicos! Fora fascistas!

Finalmente, Fora Temer!

 

Revista Geni, junho/julho/agosto de 2016

 

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