Geni é uma revista virtual independente sobre gênero, sexualidade e temas afins. Ela é pensada e editada por um coletivo de jornalistas, acadêmicxs, pesquisadorxs, artistas e militantes. Geni nasce do compromisso com valores libertários e com a luta pela igualdade e pela diferença. ISSN 2358-2618

editorial

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O trem que não para

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No escurinho do cinema, chupando… um drops de anis!

 

 

Publicado em 18/12/2015

 

 

olhos-e-cidade

 

Eis que finalmente dois mil e crise vem chegando ao fim. O calor do verão aquece nossos corações, o cheiro do peru vindo da cozinha, já dá até pra ouvir o seu tio perguntando se é pavê ou pá cumê ou sua tia querendo saber quando a família vai conhecer aquelx namoradinhx lindx do sexo oposto.

 

Para ajudar nessa forçada imersão familiar do fim de ano, os seus problemas acabaram: está no ar a Geni edição Cinema!

 

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O tio, o peru, o Roberto Carlos, se é roupa azul e não marrom, o velho batuta, fazem parte de imagens que, ao pensar em fim de ano, praticamente saltam das retinas e escrevem este editorial. Desde a famosa história da exibição do filme dos irmãos Lumière, em que um trem chegava à estação assustando xs espectadorxs, tornou-se evidente que cinema teria um enorme poder de alcance enquanto linguagem (e indústria também). Talvez possamos pensar na corrida da plateia como um exemplo do aspecto palpável do cinema, reforçando e/ou questionando discursos hegemônicos sobre representações, normas e “monstros”. Exemplo de que, da tela, imagens são, por vezes, capazes de movimentar pessoas literalmente.

 

Há ideias que colocam em questão a capacidade crítica das pessoas em relação a produções audiovisuais de intensa veiculação; um flerte entre o argumento de que para a crítica/apreciação cinematográfica é preciso ter determinados saberes E a manutenção das classes sociais de eleitos nos espaços de produção, discussão e consumo (sim) do que é chamado arte.

 

Metendo bem a colher nesse caldo, Pedro “Pepa” Silva nos lembra daqueles filmes gostosos, considerados de baixa qualidade, que passavam de madrugada na TV e que a gente assistia com o volume bem baixo: as pornochanchadas (e mais uma lista baphônica dos filmes imperdíveis do gênero).

 

Todxs temos aquelas listas de filmes que nos arrebataram. Então saquem seus lencinhos da pochete e leiam o comovente depoimento das experiências cinematográficas de Otavio Chamorro.

 

 

Não somos zumbis, ainda

 

Pra ninguém dizer que não somos rodadas, Geni foi a Recife (em desejo) e trouxe o coletivo Surto & Deslumbramento para falar sobre seus curtas, ideias, subidas no pônei e caídas do unicórnio. E fomos a Berlim (também em desejo) especialmente pra você que abandonou a sessão de Anticristo, de Lars von Trier. Convidamos Patrícia Kruger para uma análise sobre a ideia de mulheres bruxas e insanas, problematizando a origem do discurso e do olhar que acompanhamos no filme.

 

 

Discursos hegemônicos, imagens violentas

 

Diego Paleólogo Assunção aponta como o gênero de terror dialoga com os constantes movimentos normatizadores em nossa sociedade. A coluna Jura? situa o debate sobre o que chamam de censura na disputa entre liberdade de expressão e discursos de ódio; Andressa Oliveira e Naiade Biacchi apontam falhas na representação de lésbicas em quatro filmes nacionais; e trazemos uma conversa/perfil da cineasta Patrícia Galucci sobre seus projetos com temática LGBT.

 

Convidamos também mulheres do coletivo organizador do IV Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo, que nos contaram sobre o início do festival, suas lutas e conspirações. Elaine Campos e Marina Knup ainda indicaram links de filmes libertários que tocam/espremem questões de gênero.

 

 

***

 

 

Onda forte

  

Por último (e caminhando para a edição de educação, em janeiro), queremos manifestar nosso amor, apoio e dedicar esta edição – e a próxima, as anteriores, a revista, o baile, a casa toda – axs estudantes que estão se articulando nos estados de São Paulo e Goiás, criando espaços de liberdade, debate e luta nas escolas ocupadas, com reverberações no mundo todo!

 

E que venha 2016!!!

 

 

 

Coletivo Geni, dezembro de 2015

 

 

 

 

Imagens do editorial retiradas do curta Metrópole, do coletivo Surto & Deslumbramento, e do pôster do filme O desafio (direção de Paulo Cesar Saraceni, 1965).

Ilustração de capa: Barbara Scarambone

 

 

 

 

 

 

EDITORA TERNURA
Carolina Menegatti

 

EDITOR ASSISTENTE VEDETE
Fabito Figueiredo

 

EDIÇÃO DE TEXTO
Carolina Menegatti
Cecília Rosas
Fabito Figueiredo
Lia Urbini
Lígia Xavier
Olívia Pavani

 

EDIÇÃO GRÁFICA
Aline Sodré
Gui Mohallem
Tiago Kaphan

 

COMUNICAÇÃO E REDES SOCIAIS
Carolina Menegatti
Marcos Visnadi
Mariana Kinjo
Paloma Franca Amorim

 

PROJETO GRÁFICO
Bruno O.
Tiago Kaphan

 

ILUSTRAÇÕES
Aline Sodré
Bruno O.
Elaine Campos
Emília Santos
Gui Mohallem
Gunther Ishiyama
Gustavo Inafuku
Mariana Leme
Nara Isoda
Renata Torres
Thiago Fonseca

 

ILUSTRAÇÃO DE CAPA
Bárbara Scarambone
Bruno O.

 

REVISÃO DE TEXTO
Carolina Menegatti
Cecília Rosas
Fabito Figueiredo
Lia Urbini
Lígia Xavier
Marcos Visnadi
Mariana Kinjo
Olívia Pavani

 

PARTICIPAM NESTE NÚMERO
André Antônio
Chico Lacerda
Clarice Val
Diego Paleólogo Assunção
Elaine Campos
Fábio Ramalho
Marina Knup
Mayara Mascarenhas
Naiade Biacchi
Patrícia Galucci
Patrícia Kruger
Rodrigo Almeida

 

AGRADECIMENTOS
Axs estudantes das escolas ocupadas, Rita Moreira, Juliana Vicente, Surto & Deslumbramento, Coletivo Organizador do Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo, Coletivo Matilde Magrassi.

 

 

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