Geni é uma revista virtual independente sobre gênero, sexualidade e temas afins. Ela é pensada e editada por um coletivo de jornalistas, acadêmicxs, pesquisadorxs, artistas e militantes. Geni nasce do compromisso com valores libertários e com a luta pela igualdade e pela diferença. ISSN 2358-2618

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O CÉRVIX DA QUESTÃO | Um longo caminho

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Se decidi criar uma coluna chamada O Cérvix da Questão, significava que eu tinha de voltar ao útero para resolver certas pendências. Este novo útero me acolheu. Por Clara Lobo

Última coluna do ano; minha vontade é fazer uma minirretrospectiva. Já falei aqui sobre o machismo e a competição feminina, sobre a imposição da beleza às mulheres, sobre as Objectum Sexuals, sobre a sexualização/objetificação do corpo feminino, sobre o assassinato de mulheres na Índia.

 

Na coluna passada, ao falar sobre rivalidade e sororidade, mencionei minhas relações com minha irmã e minha mãe, e a relação desta com a minha avó. Após lê-la, Luiz Pimentel, colega da Geni, enviou-me este excerto da peça Incêndios, de Wajdi Mouawad:

 

“Nós todas, nossa família, as mulheres da nossa família, estamos presas numa teia de raiva há tanto tempo: eu estava com raiva da tua mãe e tua mãe está com raiva de mim e também de você, você está com raiva da tua mãe. Você também vai deixar pra tua filha a raiva como herança. É preciso quebrar o fio”.

 
2013-11-28-18.34.14
 

Eu e minha irmã decidimos quebrar o fio. Não tivemos filhas, portanto o trabalho mais árduo não precisou ser feito. Mas iniciamos um movimento de quebra da ordem trágica: ninguém mais precisará ser sacrificada.

 

Todas nós temos um motivo pessoal para termos feito as escolhas que fizemos. E se decidi criar uma coluna chamada O Cérvix da Questão, significava que eu tinha de voltar ao útero para resolver certas pendências. Este novo útero me acolheu, e aqui pude responder muitas das minhas perguntas. De quebra, espero ter ajudado em algumas discussões importantes.

 

Antes de terminar, gostaria de deixar este link e este outro (infelizmente, ambos em inglês) para as mulheres que me escreveram relatando as dificuldades na relação com a mãe. Se sua história se encaixa nesse perfil, gostaria muito de ouvi-la. Por favor, envie seu relato para morteaosuperego arroba gmail ponto com.

 

Que 2014 venha com grandes revoluções, internas e externas.

 

 Leia outros textos de Clara Lobo e da coluna O Cérvix da Questão.

Ilustração: Negahamburguer.

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Ana Amelia – 6 de dezembro de 2013 - 10:16

“Eu e minha irmã decidimos quebrar o fio. Não tivemos filhas, portanto o trabalho mais árduo não precisou ser feito”… ok, respeito a sua posição e de sua irmã e entendo que o foco seu é pessoal, aqui na revista. Mas e no caso de vocês terem se tornado mães de meninas? ou mesmo de meninos? você não acredita que seria capaz quebrar o ciclo justamente por meio de uma maternidade consciente, justa e não-narcísica? Além da sua experiência pessoal, há tantos belos exemplos hoje que despontam e poderiam ao menos ser apontados pela coluna.

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