Geni é uma revista virtual independente sobre gênero, sexualidade e temas afins. Ela é pensada e editada por um coletivo de jornalistas, acadêmicxs, pesquisadorxs, artistas e militantes. Geni nasce do compromisso com valores libertários e com a luta pela igualdade e pela diferença. ISSN 2358-2618

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X filhx que queremos ter

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Precisamos falar sobre diferentes formas de parentalidade

 

Publicado em 09/03/2016

 

 

A bancada conservadora segue tentando aprovar no congresso o Estatuto da Família (PL 6583/2013), que, entre outras coisas, diz que uma família só  pode ser formada a partir da união entre um homem e uma mulher e seus descendentes. Mas gente, e os múltiplos arranjos familiares tão comuns na sociedade brasileira? Deixam de ser considerados uma família? Irmãos que moram juntos, tios e tias que criam sobrinhos, vizinhxs, amigxs? Isso pra não falar nas famílias LGBT, nos casais homoafetivos e homoparentais que deixariam de ser considerados família.

 

Poucxs de nós temos esse álbum de figurinhas completo o tempo todo.

E tudo bem! Um tanto da psicanálise vê nessa incompletude muita potência, pois é nela que a gente cria e é nela que a gente deseja.

 

Incompletxs, desejando e criando, nos debruçamos nessa edição sobre as questões que envolvem a parentalidade. Chegamos aqui com muitas perguntas.

 

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Será mesmo que só dois podem parentar um?

 

Nossas entrevistadas do mês são duas mulheres que decidiram fazer seus filhos com um amigo, que não assina a paternidade, mas participa da vida das crianças que têm duas mães, com as quais vive, e um pai que mora no exterior e visita sempre nas férias. Pela primeira vez na Geni tivemos que proteger a identidade dxs entrevistadxs e ao ler a nossa conversa você vai saber por quê.

 

 

Mas essas crianças crescem com dois pais, duas mães, isso não dá problema não?

 

Veja o depoimento de dez delas e tire suas próprias conclusões.

 

 

Vocês são muito pra frentex, eu quero mesmo é ter uma família padrão.

 

Que família padrão, cara pálidaRetomamos um texto fundamental da psicanalista Maria Rita Kehl para entender a história da família brasileira.

 

Já viu o filme boi neon? Pare tudo o que estiver fazendo, vá ver e repare como família também é uma questão de circunstância.

 

 

E o instinto humano pela reprodução?

 

E a gente lá é ameba pra se reproduzir? O que dois seres humanos fazem é, no máximo, produção, e o que vem disso foge de qualquer tipo de controle.

 

ps: sem contar que o instinto nem é de reprodução, né gente. Somos adultxs: o instinto é de fazer sexo, com ou sem perspectivas de ter filhxs.

 

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Ps2: e ter filhxs não precisa ser sinônimo de procriar, tá? Só pra deixar claro.

 

 

Mas faz sentido hoje produzir alguém, a gente já não se multiplicou demais não?

 

Pois é, tem uma galera enorme dizendo que já chega, e que inclusive melhor mesmo pro planeta seria a gente se extinguir. Os argumentos são contundentes.

 

 

Mas e se eu quiser muito ter umx filhx?

 

Já tem um monte de criança pronta aí nos abrigos esperando adoção. Só que xs candidatxs brasileiros preferem crianças muito pequenas (de novo a ilusão do controle), brancas e sem ‘defeito’. Por isso a enorme fila de espera.

 

Fora as adoções simbólicas que existem por aí.

 

 

8 de março, dia internacional da mulher, vocês não vão falar disso não?

 

A gente sempre fala de gênero, e vai continuar falando até que não precise mais falar. Mas tá difícil.

 

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E o que que essas conchinhas tem a ver com as calças?

 

Lindas, né? A partir das provocações dessa edição, nossa ilustradora convidada Mayra Redin criou essas imagens pra Geni. O trabalho dela ela já fez, agora cabe a cada um de nós ligar os pontos.

 

 

Coletivo Geni, março de 2016

 

 

 

 

 

 

EDITOR RESPONSÁVEL

Gui Mohallem

 

EDITORA ASSISTENTE

Olivia Pavani

 

EDIÇÃO DE TEXTOS

Aline Gatto Boueri
Carolina Menegatti
Juliana Bittencourt
Gui Mohallem
Lia Urbini
Mariana Kinjo
Olivia Pavani
Otávio Chamorro
Rodrigo Cruz

 

EDIÇÃO GRÁFICA

Aline Sodré
Tiago Kaphan

 

COMUNICAÇÃO E REDES SOCIAIS

Alciana Paulino
Marcos Visnadi
Mariana Kinjo

 

PROJETO GRÁFICO

Bruno O.
Tiago Kaphan

 

ILUSTRAÇÕES

Aline Sodré
Amanda Gotsfritz
Ana Ferri
Ana Mohallem
Bianca Muto
Gabriela Herman
Gunther Ishiyama
Mariana Leme
Mayra Redin
Patrícia Yamamoto
Renata Torres
Thiago Fonseca

 

ILUSTRAÇÃO DE CAPA

Mayra Redin

 

REVISÃO DE TEXTO

Aline Boueri
Fabito Figueiredo
Mariana Kinjo
Olívia Pavani
Rodrigo Cruz
Thiago Fonseca

 

PARTICIPAM NESTE NÚMERO

Anna Amorim
Diego Garcia
Elvis Stronger
Érica Espírito Santo
Família Alice & Lia
Gabriela Herman
Julia Drummond

 

AGRDECIMENTOS

Ana Mohallem, Dindi Coelho, Marília Velano, Márcia Porto Ferreira, Paulo Iotti, Pedro Marques, Teresa Lobo Garcia e todoxs aquelxs que expuseram um pouco de suas vidas para que a gente pudesse abrir os nossos horizontes, aumentando a compreensão de que existem infinitos modos de lidar com a parentalidade (e com a ausência dela).
E que tudo pode, só precisa ver o que funciona. Pra cada umx.

 

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