Geni é uma revista virtual independente sobre gênero, sexualidade e temas afins. Ela é pensada e editada por um coletivo de jornalistas, acadêmicxs, pesquisadorxs, artistas e militantes. Geni nasce do compromisso com valores libertários e com a luta pela igualdade e pela diferença. ISSN 2358-2618

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Se o campo não planta, a cidade não janta

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Geni de rolê pelo interior 

Publicado em 15/06/2015

 

 

Em junho a Geni comemora dois anos de revista com um tema essencial e por vezes escanteado quando o recorte é gênero e sexualidade: o campo. Camadas de estereótipos se acumulam. No imaginário urbano, o campo sempre aparece como um lugar isolado e hostil à população LGBT, onde os papéis de gênero são tradicionais, definidos e imutáveis. Mas, ao fazer essa edição, nossxs convidadxs apontaram que isso tem muito de lenda urbana.

 

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Acha estranho? Bom, podemos começar pegando o gancho de outro acontecimento de junho – as Paradas do Orgulho LGBT, a qual muitos se referem apenas como “Parada Gay”. Em São Paulo, que já conquistou o lugar de maior parada do mundo, o tema desse ano deixou bem claro que a Parada é só G: G de Geni? Não, G de Gabriela: “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim, respeitem-me”. Oi?? Como assim?? A polêmica não parou por aí: um dos carros teve uma travesti/mulher trans crucificada e ela começou a ser perseguida e ameaçada. Não bastasse isso, fez uma declaração que contraria o movimento das travestis e pessoas trans. A crucificação foi até usada no texto do novo projeto de lei analisado no município de Guarulhos: o PL 2539/15, que propõe a proibição da realização de uma Parada LGBT na cidade. Por outro lado, na Bahia, mês passado, sem terras LGBTs de todo estado organizados no MST, em entidades e outros movimentos sociais, marcaram presença no 3º Maio da Diversidade.

 

Essencialismos e binarismos acabam travando uma visão mais ampla desse universo tão complexo e multifacetado. Foi com o desejo de tensionar esses estereótipos que fomos buscar pessoas que pudessem nos trazer outras visões. Conversamos com Silvana de Souza Nascimento, professora universitária que pesquisou gênero e sociabilidade no campo; Vilênia Porto falou da incrível Marcha das Margaridas, que rememora a cada 4 anos a resistência das militantes mulheres em prol de melhores condições de vida e que por muitas vezes são perseguidas politicamente. Do Uruguai, Leila Izidoro conversa com cineastas que  trabalharam com agricultoras na luta contra um megaprojeto de mineração, e  de Maputo, Moçambique, o sociólogo Hélio Maúngue comenta o processo de feminização do vírus HIV e a influência do machismo nessa dinâmica.

 

Buscando imagens pra esses múltiplos campos, Paula Sampaio nos abriu as portas pro seu trabalho fotográfico sobre a população atingida pela barragem de Tucuruí. E nosso ilustrador convidado, Thiago Fonseca, esperou pra lançar seu último episódio da HQ Corredora Nua junto com outros desenhos especialmente feitos pra revista.



Além disso, Alciana Paulino explora limiares, fronteiras e beiradas; nossa Sapapop foi descobrir quem é a produtora de Orange is the new black e, para completar, temos uma nova colunista baphônica: a ilustre Shanawaara chega para agitar a quadrilha. E mais. É só clicar aí do lado e começar a ler!

 

 

 

Coletivo Geni, junho de 2015

Ilustração de capa: Thiago Fonseca

 

 

 

 

EDITORA RESPONSÁVEL

Lia Urbini

 

ASSISTÊNCIA EDITORIAL
Cecília Rosas

 

EDIÇÃO DE TEXTO

Carol Menegatti
Cecília Rosas
Fabito Figueiredo
Gui Mohallem
Lia Urbini
Ligia Xavier
Rodrigo Cruz

 

EDIÇÃO GRÁFICA
Aline Sodré
Tiago Kaphan

 

COMUNICAÇÃO E REDES SOCIAIS
Carolina Menegatti
Marcos Visnadi
Mariana Kinjo
Paloma Franca Amorim

 

PROJETO GRÁFICO

Bruno O.
Tiago Kaphan

 

ILUSTRAÇÕES

Aline Sodré
Amanda Gotsfritz
Ana Mohallem
Bianca Muto
Bruno Oliveira
Caio Victor
Emília Santos
Gunther Ishiyama
Mariana Leme
Paloma Franco Amorim
Thiago Fonseca
Nara Isoda

 

ILUSTRAÇÃO DE CAPA

Thiago Fonseca

 

REVISÃO DE TEXTO

Cecília Rosas
Lia Urbini
Thiago Fonseca
Rodrigo Cruz
Lígia Xavier
Mariana Kinjo

 

PARTICIPAM NESTE NÚMERO

Paula Sampaio
Shanawaara
Ligia Marina
Giovana Izidoro
Helio Maungue
Vilênia Porto
Karol Herrera
Luana Weyl
Inaê Nascimento
Luah Sampaio
Vacas
Natalia Espasandín
Victoria Gómez

 

AGRADECIMENTOS

Aline Korosue, Marília Carbonari, Miguel Enrique Stédile, LECERA-UFSC, MST, MAB, MMC, Caravana Climática, jovens e não tão jovens dos assentamentos Butiá, Pátria Livre, Sandra e 25 de julho, em Santa Catarina.

Essa edição é dedicada axs perseguidxs políticxs dos movimentos do campo no Brasil. Aos mortos e desaparecidos da escola rural de Ayotzinapa, México. Axs que vivxs ecoam essas vozes. E a Téte e ao Cai.

 

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